Portugal é País de Homens Valentes, 7-4-2018

Portugal é País de Homens Valentes embora haja, como em tudo, excepções. Por opção ou, neste caso, também por cobardia.

Atesta-o o que foi feito pelos nossos antepassados ao longo dos nossos mais de 8 séculos de História.

Mas, recentemente, alguns historiadores encontram testemunhos das tais excepções e divulgam-nos. E a comunicação social, em especial a televisiva, dando-nos delas ampla informação, poderá induzir alguns a pensarem que a minoria é afinal a maioria. Como tem acontecido com comentários que vejo a publicações e vídeos duas Guerras Mundiais e do Ultramar.

Com 92 anos, nascido em 1925, entendo pois dever dar também o meu testemunho.

Porque convivi com participantes da I Guerra, incluído alguns dos meus professores liceais, que lá estiveram como milicianos, um sofrendo até dos gases de França, e a nenhum ouvi queixar-se da sua participação.

Porque acompanhei a Guerra de Espanha, contactei com refugiados, tive inclusivamente um colega de liceu que, com 16 anos, nela participou.

Porque acompanhei o desenrolar da II Guerra Mundial desde o início, ouvindo também a BBC por galena, e recebendo diariamente correio enviado por adidos de imprensa, como o da embaixada inglesa.

E porque, em 1942, fui um dos mais de 200 inscritos no curso preparatório para ingresso nas Forças Armadas, da Faculdade de Ciências de Lisboa.

E, em 1943, quando se receava retaliação de Hitler pela cedência da base dos Açores, a Armada, tendo os quadros cheios mas admitindo haver baixas em combate pela activa guerra submarina germânica do Atlântico, abriu concurso para admissão de 33 cadetes. Fui um dos concorrentes admitidos, entre os provindos das Faculdades de Lisboa, Porto e Coimbra. Porque a retaliação não se concretizou acabámos ficando vários anos supranumerários. Outros colegas de faculdade preferiram concorrer ao Exército.

Nesse mesmo ano, na viagem de adaptação na SAGRES, para aprendermos o que devíamos depois mandar, desempenhamos também funções de praças (estas contratadas e também do serviço militar obrigatório). Nunca lhes ouvi queixas dessa natureza.

Como jovem 2º tenente, por 2 vezes me preparei para participar em acção de derrube da ditadura. Ambas abortadas por quem as estava preparando, antes de eclodirem.

E também vim a participar na guerra do Ultramar.

António José de Matos Nunes da Silva

C/Alm Ref

 

 


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