O aumento do PIB no 3º trimestre de 2016, 15-11-2016

Lê-se no documento do INE de 15-11-2016:

“O Produto Interno Bruto (PIB) registou, em termos homólogos, um aumento de 1,6% em volume no 3º trimestre de 2016 (variação de 0,9% nos dois trimestres anteriores). O crescimento mais intenso do PIB refletiu principalmente o aumento do contributo da procura externa líquida, verificando-se uma aceleração mais expressiva das Exportações de Bens e Serviços em comparação com a das Importações de Bens e Serviços. A aceleração das exportações foi comum às componentes de bens e de serviços. O contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB também aumentou no 3º trimestre, em resultado da aceleração do consumo privado devido ao comportamento da componente de bens não duradouros e serviços, enquanto a componente de bens duradouros desacelerou.”

O que é que significa haver aceleração mais expressiva nas exportações do que nas importações e que o consumo privado aumentou mas desacelerou quanto a bens duradouros?

A resposta é que o pequeno aumento no rendimento de portugueses e o seu subsídio de férias não os levou a comprar muitos carros ou electrodomésticos ao exterior, mas sim a comprar bens não duradouros como comida, vestuário, viagens. Como tentei expor em 25 de Julho, aos catastrofistas de então.

Recordo, novamente, o que escrevi em 25-7-2016 sobre o mesmo assunto e que foi até publicado na página 32 do 1º caderno do Expresso de 30-7-2016. Mantenho, e penso que o efeito benéfico nas contas do OE se acentuará em Agosto:

“Vejo alguns comentadores e políticos, poucos, a manifestarem reservas quanto aos dados do 1º semestre do OE, alegando adiamento de pagamentos de dívidas a fornecedores e devoluções de IRS.

Quanto ao IRS, se há devoluções a efectuar, também haverá cobranças a fazer. Não temos dados para saber se o saldo será positivo ou negativo quanto à cobrança dessa receita.

Há porém um elemento importante que decerto terá muito peso, sobretudo em Julho e Agosto. O subsídio de férias, de que não vejo falar.

Os trabalhadores do Estado, já o receberam em fins de Junho. Mas o grande volume de gasto de quem o recebeu será no segundo semestre. E pensionistas só o receberam em Julho e, por maior razão, o seu efeito benéfico na economia só se sentirá também neste semestre.

Para trabalhadores privados, as datas são mais flexíveis mas, na grande maioria, pago no 2º semestre.

O subsídio de férias paga IRS e, como já não é habitual guardar dinheiro debaixo do colchão, irá servir sobretudo para pagamento de dívidas e para compras, provocando aumento de receita de IVA, de IRC, de imposto de combustíveis. Anima economia e contribui para aumento do emprego sazonal (quer pelo volume de compras, quer por o gozo de férias obrigar a preenchimento temporário de alguns desses postos de trabalho).

Não há pois indícios suficientes das contas do OE piorarem no 2º semestre. Antes pelo contrário.

António José de Matos Nunes da Silva”

Oeiras

 


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