A serenidade do Povo 12-11-2015

O Povo é sereno, disse Pinheiro de Azevedo há cerca de 40 anos, no PREC.

E continua sereno. Apesar da campanha alarmista do vem aí novo PREC. Na Assembleia houve deputado que até foi ressuscitar Estaline! Ninguém se lembrou de lhe dizer que Estaline foi contemporâneo de Hitler e que a Alemanha de agora não é exactamente igual à dessa época.

Mas como afinal o PCP não participará em governo PS e declara manter a sua identidade, avança o novo alarme de que esse acordo não é sólido e vai durar pouco tempo.

Paralelamente, o amuo: o poder é meu, foram os eleitores que mo deram. E que quem votou no PS votou mas foi também nas políticas do PSD, porque PS é também pela Europa e pela NATO. Costa é que é o mau da fita.

“Esqueceram-se” do voto útil e daqueles que só se decidiram à última da hora, por não estarem convencidos da inteira bondade das várias candidaturas. E de que o voto é secreto e ninguém consegue saber qual a razão por que qualquer pessoa vota neste ou naquele. Cada cabeça, sua sentença. O que vai interessar é saber-se de quantos deputados se dispõe. E o PS mais CDS não formam maioria nem conseguem que outros se lhe juntem.

Como essa argumentação não está a resultar, Portas, ao analisar as medidas que o PS pretende tomar, já diz que afinal a coligação até dava mais dinheiro! Passamos ao leilão do quem dá mais?

E o Povo continua sereno, mas quer organizar a sua vida e saber quais as linhas com que se vai cozer. Quer um Governo. Aliás, a Constituição manda que sim, que haja Governo.

E os mercados afinal também estão serenos. E a Europa também está serena. Não percebem é porque isto leva tanto tempo a decidir-se.

E o PR também parece sereno. Na Constituição, só no artigo 187º se estabelece como é nomeado o 1º Ministro. E lá consta “1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente

da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.”

Não obriga o PR a ouvir os parceiros sociais ou quaisquer outras entidades. Se só vai começar a ouvir os partidos 8 dias depois da demissão do Governo é porque não vê pressa.

Por isso nem adia uma visita à Madeira. Não é porque lá vá decidir alguma coisa. É porque sim. A ilha é um encanto, até já sem Jardim. Não se sabe quanto custará a viajem, ao OE e ao da Região. Mas é a hora da despedida.

E o Povo continua sereno. Porque todos sabem que não tem alternativa e que terá mesmo de nomear Costa. Por muito que lhe custe.

Mas, se prolongar por meses, já será difícil garantir que os mercados continuem serenos, que o Povo continue sereno.

António José de Matos Nunes da Silva

 


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