Entrevista de Portas e futuro Governo

Ouvi com atenção a entrevista de Portas à TVI.

Alega ter a coligação legitimidade para manter Passos Coelho como 1º Ministro, por, além dos resultados eleitorais, ser a favor da NATO, do euro e do Tratado Orçamental, enquanto que tudo isto estaria em risco se for António Costa a chefiar um governo, por ser apoiado por 2 partidos que advogam a saída desses sistemas. Argumento aliás, também de outros.

É uma falsa questão, porque Costa e a delegação do PS já afirmaram repetidas vezes que só aceitam o apoio do BE e do PCP se estes partidos não lhe exigirem isso. E, pelo que consta, eles não o impõem.

Aliás, Porta contradiz-se quando admite Costa como vice 1º Ministro da coligação mas o acha perigoso como 1º Ministro de um Governo em que ele e Passos não participem.

É que não é a maior ou menor submissão a estrangeiros o que principalmente divide os 2 blocos, mas sim a política interna. Um mal maior.

Porque PSD e CDS ignoraram os “S” das suas siglas e legislaram duante mais de 4 anos no sentido de concentrar toda a riqueza em empresários, à custa de quem trabalha e trabalhou. E diabolizam o mercado interno, apesar de ser o que lhe dá o IVA e a maioria das receitas do OE, por entenderem que ele aumenta as importações. Comprar algo que cá não se produz deverá ser portanto privilégio de empresários.

E é essa, afinal, a razão principal das conversações para a união de 3 partidos, tão divergentes noutros aspectos. É a miséria da generalidade dos portugueses, sem fim à vista. O que eles pretendem é uma melhor distribuição da riqueza e que o mercado interno contribua para a aumentar. O PS, que aliás também votou pela aprovação do Tratado Orçamental, promete cumpri-lo.

Ainda quanto à NATO, falo com conhecimento de causa pois nela participei durante praticamente toda a minha carreira profissional. Organização de defesa mútua, foi o bastião para que a Europa se pudesse reconstituir e não sentisse os efeitos de nova guerra. E continua válida para a nova ameaça do terrorismo. Nela muito aprendi, possibilitando a modernização dos nossos meios de defesa. E nela também acabei ensinando algo. Sendo organização militar, vi na NATO muito mais democracia do que nesta União Europeia. Participei em muitas reuniões de trabalho, a opinião de Portugal valia tanto como a dos EUA, Canadá, UK, etc. Não pesava mais uma do que outra. Não havendo acordo nalgum ponto, o País discordante reservava o direito de ele não se lhe aplicar. Mas procuravam-se consensos, por argumentação e não mera oposição. E a argumentação que produzi, fez cancelar ou alterar muitas propostas de outros países, incluindo as dos EUA. De sua livre vontade, por convencidos, claro.

Quanto a legitimidade eleitoral democrática, os números (fonte MAI) falam por si. Houve 5408805 votantes.

Coligação, mais votantes no PSD e CDS onde não foram coligados, 2086165 votos e 107 deputados.

PS+BE+PCP, 2744557 votos e 122 deputados (para maioria absoluta chegariam 116).

António José de Matos Nunes da Silva


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