Os últimos cartuchos pre eleitorais

Queimam-se os últimos cartuchos pre eleitorais.

Afastada a multidão dos jovens que foram forçados a emigrar e que decerto não estarão contentes com a coligação que a tal os obrigou, muitos dos que cá ficaram parecem masoquistas, resignados a mais quatro anos do mesmos ou pior.

Pior, porque, as promessas vão ser mais uma vez metidas na gaveta. Porque Bruxelas obriga o défice a baixar ainda mais, porque a dívida aumentou e aumentará, porque o BCE não pode ficar sempre com juros tão baixos, porque o preço do petróleo irá subir, porque a emigração vultuosa de jovens irá continuar, porque Passos mantém a obsessão de baixar pensões e de entender que o mercado interno é um mal económico.

Certo que quaisquer maiorias absolutas são perigosas, está mais do que provado. São ditaduras. As oposições podem propor coisas na Assembleia da República que o Governo só deixará passar o que lhe parecer inócuo, como uma freguesia passar a concelho, ou um voto de pesar pelo falecimento de alguém.

Na actual correlação de forças, só PS consegue formar um Governo em alternativa ao da coligação. Maioritário, é perigoso. Mas minoritário terá de fazer consensos para conseguir governar. Não é sair da NATO nem do euro, como Portas tenta aterrorizar incautos. Nem foi isso, por exemplo, o sugerido por Catarina. Aliás nada se perde se for feito estudo aprofundado sobre as consequências duma eventual saída do euro para se recuperar independência e se haverá ou não antídotos para eliminar ou atenuar as más. Estudar, não é sair. Mas, pelo menos, terá de cair uma das medidas mais controversas do programa PS e que foi a mais invocada para o combater: a redução da TSU e o congelamento de pensões apesar da inflação. Até porque o PS tem maneira de conseguir o mesmo fim (animar o mercado interno) por outra via que não a dos mesmos “bombos”.

Nesta campanha, o PS foi o principal alvo dos ataques, desde todos os partidos até à maioria da comunicação social, quando se esperava que fosse a coligação. Os partidos, para não perderem votos. As TVs privadas e RR por razões financeiras, pois é-lhes cara a (falsa) insistência da coligação de ser tudo pelos empresários, doa o que doer e a quem doer porque, alegam,“são eles que criam postos de trabalho”. Esquecem que o sucesso de uma empresa também depende dos seus empregados e que até há empresários que vão à falência por falta de visão.

E, como para uns valem todas as mentiras, a coligação passou agora a tentar aterrorizar: será a catástrofe, gritam inflamados, se forem outros a governar.

Mas a queda do PS é também por culpa de Costa (ou dos seus conselheiros), por pedir maioria absoluta e não se desviar um milímetro do programa dos seus economistas, defendendo-o com unhas dentes. Há mais credibilidade tentando cumprir integralmente o seu programa, mas teimar em assuntos que se constata serem altamente repudiados pelas generalidades dos eleitores é como que um suicídio político.

No domingo os eleitores, com relevo para indecisos, decidirão.

António José de Matos Nunes da Silva

 


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